Em meio a esse turbilhão de acontecimentos, me recolho. Não porque simplesmente quero, mas porque se faz necessário. Talvez, nem se faça tão necessário assim, mas a minha mente estagnou. Parece que não consigo mais pensar em duas ou três coisas sem que ao mesmo tempo essas coisas me tragam à memória aquilo que eu não quero lembrar - "ufa". Pois esse "ufa", às vezes tão mecânico, é mais do que uma expressão de alívio. Afinal, tem coisa melhor do que cair, sofrer, chorar e depois - "ufa" - levantar? Pode parecer masoquismo, mas sofrer às vezes é bom. Na vida, nos deparamos com situações nas quais chegamos a nos comparar com uma criança. Caimos - e caimos feio. E como aquela criança, temos vontade de ficar no chão; chorando e lamentando aquela dor que parece que nos consome. A dor é tão grande que se torna maior até que a convicção de que na vida tudo passa. Mas chega um determinado momento em que nós mesmos temos que cuidar das nossass feridas. E como, sem ajuda alguma, eu cuidaria das minhas feridas sem que, primeiro, eu me levantasse? Não, não havia, e nem há como. E, mesmo cheio de dor, decido me levantar. Essa decisão, que no começo parece tão difícil, se torna mais do que necessária. Me levanto. E começo a limpar, a cuidar das minhas feridas, só tudo começa a doer de novo... Aparentemente, muito melhor era não mexer mais naquilo que já tinha doido tanto. E aquele pano quente naquelas feridas me fazia chorar, e eu chorava mais do que quando eu havia caido. E no meu dia-a-dia, às vezes, sem querer, eu batia aquele arranhão em algum lugar. Como doia! Mas depois, quando eu não mais dava importância nenhuma àquelas feridas - sem que eu percebesse - cicatrizou. Penso comigo: "Ufa'', eu consegui levantar! E levantei mais convicto de quem sou e, mesmo carregando as cicatrizes - que nos dias de chuva chegam a latejar - me sinto forte. Agora, me levanto depois de cada queda, e recolho as pérolas daquilo que, no começo, aparentemente não me traria benefício algum, apenas cicatrizes feias e dolorosas. Resiliência: é esse o meu lema. Cair, mas Levantar, e - Contidamente - continuar.
Letícia Lima.

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